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sexta-feira, 1 de maio de 2009

Geniais e especiais, geniais, especiais, especiais e geniais…


Nestas últimas semanas aprendi tanto, que seria no mínimo enfadonho, falar das minhas descobertas e conquistas. Ainda assim, não resisto em partilhar parte desta experiência única.

Abracei esta causa apenas porque sou mãe, tão-somente porque me interessei em conhecer o projecto escolar que estava a “mexer” com os meus filhos. Hoje estou rendida, confesso, transformei-me numa espécie de arauto CATS, numa versão chata que já ninguém aguenta.

Em casa o “piriri” da flauta conta centenas de vezes ao dia a eloquente história de Grizabella; os meus filhos deixaram de andar, agora dançam, já não falam, cantam; já não pedem beijinhos, optaram por “ronronar”. Nos últimos dias, o único programa que existe na televisão é aquela série repetitiva que tem como argumento felinos geniais e especiais, geniais, especiais, especiais e geniais…

No trabalho, o telefone toca dezenas de vezes ao dia e já me senti tentada a optar por um:
«Cats, bom dia!» ou «Cats boa tarde!»...

Mas todo este desvario tem uma justificação maior. Neste caso o fim justifica os meios, mesmo que pouco ortodoxos. Dezenas de crianças estão empenhadas em dar um pouco de si a outros meninos que realmente precisam de apoio, de atenção, de cuidados e de mimos.
O cancro mata, mata crianças, uma constatação que me corrói, que me aterroriza.
Também para exorcizar o (meu) mais tenebroso fantasma: aqui estou, de alma e coração, a apoiar esta causa dedicada, inteiramente, aos dezenas… centenas de crianças que passam pela ala pediátrica do Instituto Português de Oncologia, mas também, às mães e aos pais que sofrem e que tentam atenuar uma dor imensa com uma sobredosagem de esperança.

Quero aqui prestar a minha homenagem a Isabel Botelho, a mãe que perdeu a linda Inês, mas que, ainda assim, consegue encontrar força e coragem para realizar os sonhos de outros meninos que, doentes, ainda mantêm intacta essa capacidade de acreditar que o cancro não os vai vencer. Convido-vos a visitar a Associação Inês Botelho em www.associacaoinesbotelho.pt.

Nesta últimas semanas enviando “meia-dúzia” de e-mails confirmei que os portugueses têm, de facto, um coração enorme, que ainda se comovem, que não se deixaram minar pelo egoísmo, que estão dispostos a dar um pouco de si aos outros.

Às centenas de pessoas que me contactaram durante estes dias muito obrigado pelo apoio, pelos donativos, pelas ofertas várias, mas sobretudo pelas palavras de incentivo, que sabem tão bem, que me aconchegam, que me fazem sentir ressarcida dos prejuízos do dia a dia!

Tenho “pedinchado” muito, mas nem por isso me sinto carente. Hoje sou muito mais rica!

A professora Ana Rita Abraão e as “companheiras de luta”, Joana e Sofia, são pessoas extraordinárias, todas diferentes, mas exemplos impares de abnegação e entrega. Muito obrigado, pela amizade, pelas “palmadinhas nas costas”, pelos «parabéns», pelos «boa!», pelos «conseguimos», sinais claros de que a campanha CATS é sem dúvida sinónimo de SOLIDARIEDADE.

Faltam pouco menos de dois meses para o grande dia, receio que algo possa correr menos bem no evento de dia 21 de Junho, ainda assim acredito que o enorme talento dos alunos que abraçaram a causa, apenas servirá confirmar sucesso deste projecto idealizado, desenhado e concretizado pela Ana Rita.

Nestas últimas semanas aprendi muito… tanto que, hoje, estou consciente que tenho ainda muito a aprender… com os meus filhos, com as minhas novas amigas, com os outros pais, com os professores, com as centenas de pessoas que abraçaram esta causa, com os meninos da ala pediátrica do IPO!
Sofia Ribeiro

quarta-feira, 29 de abril de 2009



Como tudo Aconteceu…
O meu carro jazia à porta da escola, num desejo ofegante de ver o Tiago aparecer, ao fundo, com aquele sorriso de menino encantador…Mas, naquela tarde de Inverno rigoroso, o sorriso do Tiago não existia e, por engano, em seu lugar estava um traço cinzento que espelhava a cor do céu que nos cobria.
- Mãe, afinal se calhar não vai haver cat’s… não vou ser o Velho Deuterónimo – já não vamos cantar e dançar…… - mãe fala com a Prof Ana Rita, não a deixes desistir…convence-a…-e os olhinhos dele brilhavam numa réstia de esperança infinita, mal abria a porta do carro…
Ainda antes de eu ter acesso à palavra, num ambiente de carro onde respirar se tornava cada vez mais difícil, a voz da Filipa fez-se ouvir:
- Oh, Tiago claro que vai haver Cat’s… não vai mãe????!!!!! Achas que a mãe deixava uma professora desistir de uma coisa tão gira….
Foi neste momento que me senti envolvida num projecto onde mergulhei muito, muito mas mesmo muito fundo….e onde para além da professora Ana Rita, exemplo de cumplicidade, coragem e ousadia, conheci duas fantásticas mães, clones da minha forma de ser e de estar nesta função: a Joana e a Sofia.

Como tudo tem Acontecido...
Simplesmente acontece dia a dia, passo a passo, na busca da concretização de um sonho onde tudo se sente através das vozes, das expressões, do corpo e dos sentidos.
Entre alentos e ilusões, onde lágrimas e sorrisos se “Demoram a SER”, onde depois de uma queda há sempre um recomeço… mora a persistência.
Entre derrotas e pequenas vitórias emerge o dar, o partilhar, o ajudar, o substituir, o aprender e, acima de tudo o nunca, nunca, mas nunca desistir…
Entre telefonemas e e-mail’s, encantos e desencantos, de manhã, de tarde ou à noite, em sonhos ou acordadas simplesmente vai acontecendo tudo.
Entre ensaios e gravações, tecidos e confecções, aulas e testes, toques de campainha e provas de aferição… no meio de judos e ballet’s, explicações e almoços a correr, tudo mas mesmo tudo está a acontecer….
E não podemos esquecer as festas de aniversário que se estão a perder e os programas de televisão que deixaram de aparecer e os jogos de bola na rua que não se estão a ter e a playstation ao pó esquecida está a ser….
Mas, nos recreios, o som da flauta está a aparecer, o corpo das crianças a mexer ao som do cantarolar de bocas irrequietas, saltitando de criança em criança, no ginásio as paredes imbuídas de canto e de dança sentem a alegria de um ensaio ao sábado ou ao final de tarde durante a semana…
Aquilo que vos quero dizer é que, ao som do coração a bater, tudo, tudo, mas mesmo tudo está a acontecer…. ainda Antes de Acontecer.

Sofia Malheiro

"A verdadeira solidariedade começa onde não se espera nada em troca." Antoine De Saint Exupery



Esta aventura, começou para mim no dia em que a Ana, depois de chegar a casa arriscou chegar á porta do escritório, e me disse: “Mãe, queria te pedir uma coisa… tu podias ajudar a professora… com o teu trabalho era tão fácil…”.
Não sei se foi o ar dela, se foi o tom de voz, se foi o que disse, sei sim, que senti que deveria parar imediatamente o trabalho que ainda tinha que fazer e dar-lhe atenção…

Deparei-me depois de falar com ela com os meus medos, e com a realidade de que realmente apesar de mãe atenta, presente e participativa, estava completamente a leste deste projecto em que ela estava envolvida.
Rapidamente arranjei o contacto da Professora Ana Rita, falei com ela e agendei um encontro para o dia a seguir…

Desde esse encontro, já vivi tantas emoções…

Muitas das crianças que participam neste projecto, são amigas da Ana, e fazem por esse motivo parte da nossa vida… Vi-as crescer, nos últimos anos, e é com imenso orgulho que olho para todas elas!

São fortes, corajosas, empenhadas, dedicadas…

Meninas e meninos, vocês são grandes, imensos, os meus sinceros parabéns pelo vosso trabalho e empenho!

Eu que até faço o papel da má, muitas vezes, fiquei com os olhos cheios de água quando entrei naquele ginásio, e vós vi e ouvi!!!

A todas as pessoas a quem pedi coisas e ajudas nos últimos dias, o meu muito, muito obrigada…

Fizeram me voltar a acreditar no ser humano, acreditem que estava já algo descrente…

Tenho me deparado com pessoas extraordinárias.

A professora Ana Rita… nem palavras tenho para agradecer tudo o que tem feito, e tanto que tem conseguido ensinar aos pequenos e aos graúdos com este projecto… é a prova que o amor ao que se faz marca realmente a diferença!

As Sofias… minhas companheiras desta aventura… também a elas o meu agradecimento, ficam no meu coração para a vida!

A causa… esta causa é o meu mais profundo medo, e enfrenta-la faz me crescer.

Que este nosso pequeno contributo atenue a dor, o sofrimento… é só quanto desejo!

Realmente a verdadeira solidariedade começa onde não se espera nada em troca, e estas nossas crianças, entenderam isto mesmo, com a sua inocência e avançaram sem medos nesta aventura que garantidamente vai mudar para melhor todos nós que dela participamos.

Parabéns crianças, ensinaram-me mais no segundo em que entrei naquele ginásio, do que muitos adultos em anos de convivência!

E muito obrigada filha, pela tua chamada de atenção, pela tua tolerância.

Estou realmente muito orgulhosa de ti!

Joana